Fahrenheit


09/10/2009


O corcunda sedutor


   O corcunda tinha um olho verde e outro azul, que era de vidro, depois de uma partida entre Britânia e Primavera. O beque alemão pulou mais alto e forte e bateu na testa do corcunda, que ficou cego na hora de um olho. O olho prejudicado foi retirado. O médico só tinha olho de vidro azul no estoque e o corcunda balançou a cabeça triste: “Não tem importância, vai azul mesmo”. Ele ainda jogou bola com a camisa vermelha e branca, número 9 nas costas até o dia em que o alemão, agora jogando pelo Palestra entrou na perna do corcunda e quebrou o joelho. O corcunda ficou manco. E passou a arrastar a perna esquerda. A irmã do alemão ficou com pena do corcunda, tinha por ele aquele afeto que as crianças tem por filhotes de pássaros que despencam do ninho na calçada. Até aí, tudo bem, não fosse a irmã do alemão uma dona muito gostosa e meio sem juizo. Era uma alemã loira, de olhos verdes, bonita, chamada Ingrid. Uma noite no Vasco da Gama, o corcunda aproveitou que o alemão estava bêbado e que Ingrid tomou dois copos de chope com dose de Steinhaeger mergulhada em seu interior e a tirou para dançar. Apesar de corcunda e arrastando o pé para um lado, ele dançava bem. E ele soprou nos ouvidos da deusa germânica alguns versos de uma canção chamada “Plaisir D'Amour”, em francês. Ninguém sabe se foi a música ou o Steinhaeger que o corcunda colocou no chope da dona, mas naquela noite o corcunda arrastou Ingrid para as bandas do cemitério municipal e no silêncio da noite deflorou a irmã do alemão, que na hora do prazer arranhou a corcunda do corcunda, que ficou em carne viva. A bela moça engravidou e o alemão quis matar o corcunda. Quem não deixou foi o presidente do Palestra. “Você vai preso. Nunca mais vai jogar bola”. Jogar bola era tudo que o alemão queria na vida. Estava para entrar no time profissional. O alemão disse para o corcunda nunca mais aparecer perto da irmã dele, se não quisesse conhecer o cemitério municipal antes do dia 2 de novembro. O corcunda respondeu: “Tudo bem”. E por prudência foi para as bandas do Água Verde. Ele acabou sendo diretor social do clube e cantou muitas vezes “Plaisir D'Amour” nos ouvidos de muitas moças, algumas delas loiras de olhos verdes e outras não, mas algumas ficaram grávidas, outras não. O mais estranho era que nunca deram queixa do corcunda na pólícia. E quase todas achavam lindos aqueles olhos de cores diferentes e aquele jeito de andar meio dançando, duas heranças que o alemão deixou para o corcunda. A corcunda era de nascença. Mas o segredo do corcunda era o Steinhaeger que ele colocava no chope das moças.

Escrito por Iskandar, o ogro da Zona Dois às 11h14
[ ] [ envie esta mensagem ]

06/10/2009


Bundas, seios & Cia

Na fila do supermercado, o cara olha a dona. Uma gostosa. A dona gostosa irritada com a fila está inquieta. Em sua inquietude movimenta as ancas de um lado para outro. Impossível não ver, a única coisa interessante no mercado. O cara olha a bunda da dona na hora que ela vira a cabeça e dispara: “O que está olhando, palhaço?”. “Nada”. “Como nada, você não desgruda o olho da minha bunda”. “É a fila, dona”. “Primeiro eu não sou dona. Segundo o que a fila tem a ver com seus olhos grudados na minha bunda?”. “É que a senhora está na minha frente e a bunda da senhora está entre nós”. “Entre nós? A bunda faz parte de mim, seu palhaço”. “Sim, dona, é a parte da retaguarda da senhora mais próxima de mim. É impossível não vê-la”. “Você está querendo dizer que eu tenho a bunda grande?”. “Não. Eu disse que ela está na minha frente e assim uma das poucas opções que tenho é olhar para ela”. “Por que você não olha para outro lado?”. “E que se eu virar a cabeça eu enfio os olhos nos peitos da dona de trás. Vai ser ainda mais estranho”. A dona de trás, de cabelos pretos curtos e olhar safado, disse: “É isso mesmo”. A dona da frente estava puta da vida com o supermercado, mas o cara sabia que se ele bobeasse, ele ia pagar a conta. Ela ia fazer escândalo e dizer que tudo começou por causa dele, dos olhos dele grudados na bunda dela, uma bela bunda, por sinal. Por isso ele estava pegando leve, muito leve. “O senhor por acaso pensa que eu sou idiota?”. “Isto é coisa que nunca me passou pela cabeça, minha senhora”. “O senhor sabia que eu sou casada?”. “Não, não sabia”. “Eu vou mandar meu marido falar com o senhor”. “Tudo bem”. “Ele vai quebrar a tua cara, palhaço”. “Tudo bem, minha senhora”. “Tem certeza que é tudo bem?”. “Sim. Mas ele também corre o risco de sair com a cara quebrada”. “Ele é capitão do exército”. “Então ele não vai quebrar a cara de ninguém, minha senhora”. “Você acha que meu marido é covarde?”. “Não, minha senhora. Ele não vai correr o risco de perder uma promoção no futuro por causa de uma briga idiota com um sujeito que estava olhando a bunda da mulher dele na fila do mercado”. “Não vai?”. “Claro que não. O Exército só promove quem briga pela pátria e não pela bunda da esposa, por melhor que seja”. “Você está dizendo que meu marido é frouxo?”. “Eu acho que ele deve ser tão firme quando a bunda da senhora, mas para tudo tem limite”. “E qual é o limite?”. “O limite é o bom senso. Eu não tirei pedaço de sua bunda, não passei a mão na sua bunda e para dizer a verdade eu vi apenas o contorno de sua bunda. Ela continua um mistério para mim”. Ela pareceu pensar no assunto. “Você acha que eu sou idiota?”. “Eu já disse que isto é coisa que nunca me passou pela cabeça”. “É o que é passou pela sua cabeça?”. “É a sua vez”. “O quê?”. “A moça do caixa está chamando”. Ela olhou decepcionada: chegara a vez dela. Fila de mercado demora, mas também anda. A mulher de trás que ouvia tudo, perguntou: “O que é que passou pela sua cabeça?”. Ele olhou a mulher de trás, era melhor que a mulher da frente. E ela tinha um par de seios, que era coisa de louco. Ele suspirou e ouviu a moça do caixa chamar. “Desculpe, mas agora é minha vez”. A mulher de trás arfou os seios e sorriu. Ele não tinha a menor idéia do que aquele sorriso representava, mas enquanto caminhava para o caixa ele não deixou de pensar que o conjunto formado pela bunda da dona da frente com os seios da dona se trás, era algo simplesmente estonteante.

Escrito por Iskandar, o ogro da Zona Dois às 13h40
[ ] [ envie esta mensagem ]

05/10/2009


As piranhas do Egidio

   Egidio tinha um bordel. E o bordel era cheio de piranhas de todos os tipos, loiras, morenas e ruivas. Altas, baixas, magras e gordas. Tinha russa, polonesa, italiana e japonesa, além de negras e argentinas. Tinha aquelas faladeiras e tinha as que ficavam naquele silencio encantador e misterioso. As que choravam durante o trabalho, as que gemiam e as que riam divertidas. Tinha as que faziam serviço completo e tinha as especialistas que fazia apenas uma coisa, mas o que faziam era de deixar o cliente recompensado. Umas se vestiam de piranhas, outras de freiras, algumas de professoras, e muitas de alunas. A imaginação era dona do lugar. Agenor foi uma noite ao bordel do Egidio, não estava a fim de nenhuma dona em particular, apenas em contemplar aquele plantel fabuloso que era de fazer qualquer palácio das mil e uma noites parecer um convento de Monza. Agenor disse: “Você deve ter muitas histórias, hein Egidio?”. Egidio respondeu: “Vou te contar, dava para fazer um filme”. Agenor sugeriu: “Por que, então, você não faz um filme?”. Egidio pensou e respondeu: “Boa idéia”. Ele fez um filme com seu bordel e suas garotas. E deu o nome de “As piranhas do Egidio”. O filme foi um grande sucesso. 

Escrito por Iskandar, o ogro da Zona Dois às 14h10
[ ] [ envie esta mensagem ]

Perfil



Meu perfil
BRASIL, Sul, MARINGA, ZONA 02, Homem, de 56 a 65 anos, Portuguese, French, Música, Automóveis, sexo, vinho e rock roll.
MSN - me esqueci